The tongue licks


Carlos Drummond de andrade

The tongue licks the red petals
multi-open rose; the tongue plows
hidden button, and weaves
quick variations of light rhythms.

And lick, lick, lick,
the licorine hairy cave,
and the more licking, the more active,
hits heaven from heaven, between moans,

between screams, bleats and roars
of lions in the forest, enraged.
Carlos Drummond de Andrade BARBOSA, Rita de Cássia. Erotic poems by Carlos Drummond de Andrade. São Paulo: Ática, 1987.

A língua lambe

Carlos Drummond de Andrade

A língua lambe as pétalas vermelhas
da rosa pluriaberta; a língua lavra
certo oculto botão, e vai tecendo
lépidas variações de leves ritmos.

E lambe, lambilonga, lambilenta,
a licorina gruta cabeluda,
e, quanto mais lambente, mais ativa,
atinge o céu do céu, entre gemidos,

entre gritos, balidos e rugidos
de leões na floresta, enfurecidos.

Carlos Drummond de Andrade BARBOSA, Rita de Cássia. Poemas eróticos de Carlos Drummond de Andrade. São Paulo: Ática,1987.

CANAL ANAL

Glauco Matoso

Achei muito engraçado! O narrador

do jogo, cauto, evita o palavrão

a todo custo. Hypocrita, diz: “Não!

Não pode! Que é que o ouvinte vae suppor?”

Mas abre o microphone e, quando for

captar do treinador uma instrucção

mais ríspida, se escuta: “Mais tesão,

caralho! Mais porrada! Mais suor!”

“No rabo! Faz tomar no rabo! Enraba!”,

insiste, berra o technico. Ninguém

lhe barra a voz no radio. Elle se gaba:

“Sou toda! Sou fodão! Quem perde tem

mais é que se foder!” Depois vem, braba,

a voz do narrador: “Que feio! Eu, hem?”

GOZO TENEBROSO

Glauco Matoso

Um cego que se assuma desdictoso
mas versos faça á venda que lhe vende
os olhos, masochista idéa vende,
em livro, a seus leitores, que teem gozo.

Leitores que lerão Glauco Mattoso
tal como, persistente, ser pretende:
vendendo a vil imagem que se estende
por “desilluminismo” luminoso.

A scena que escancara o torpe bardo,
política nãos endo, nem correcta,
dar pode um termo ao cego: infelizardo.

Assim, “deshumanista”, a sua meta
é sobrecarregar de foda um fardo
fodido, já, de sobra: o do poeta.

ภาษาฮินดี SONET

Glauco Matoso

ในประเทศอินเดียมีการพูดคุยกัน
ที่มีในข้อความทั้งหมด“ Kama Sutra”
ที่นั่นมีคนกล่าวว่าเป็นทาส
แก้ไขเมื่อผู้หญิงต้องการอะไร

บอกฉันทีชั้นล่างสุด
คนตาบอดถูกเก็บไว้ใน puteiro
และเพื่อแลกกับอาหารหรือเงิน
พวกเขาต่อสู้เพื่อดูดคนร่ำรวย

ฉันต้องการเป็นส่วนหนึ่งของความหลากหลายนี้
และนอกจากดูดไก่ถูกบังคับ
เพื่อภาระผูกพันของ pederaste ใด ๆ :

หลังจากหัวหน้าได้ให้ลา
ขูดลิ้นชั่วช้าที่สวมใส่ แต่เพียงผู้เดียว
และสกปรก (ฉันจะสนุก!) รองเท้าของคุณ

MATTOSO, Glauco Desilluminism โกยาเนีย, โก: ค้อน, 2016. 152 p. การออกแบบกราฟิกและปก: Lucas Mariano 152 หน้า ISBN 978-85-68693-12-4 พิมพ์งาน: 500 ครั้ง หมายเลข ตัวอย่าง Bibl อันโตนิโอมิแรนด้าP̣hās̄ʹā ḥin dī SONET Glauco Matoso

SONETO HINDU

Glauco Matoso

         Na Índia a felação é tão falada

         que tem nos “Kama Sutra” um texto inteiro.

         Lá diz que um servo, como chupeteiro,

         resolve quando a fêmea não quer nada.

         Me contam que na mais baixa camada

         os cegos são mantidos em puteiro

         e, em troca de comida ou por dinheiro,

         batalham pra chupar gente abastada.

         Queria fazer parte desta casta

         e, além de chupar rola, ser forçado

         a toda a obrigação dum pederasta:

         Após ao superior o cu ter dado,

         Ralar a língua vil na sola gasta

         E suja (Vou gozar!) de seu calçado.

MATTOSO, Glauco.  Desilluminismo.  Goiânia, GO: martelo, 2016.  152 p.  Projeto gráfico e capa: Lucas Mariano.   152 p..  ISBN 978-85-68693-12-4 Tiragem: 500 exs. numerados. Ex. bibl. Antonio Miranda

POEMA SUJO

Do the People Developing Photos Look at Them? - VICE

Ferreira Gullar

turvo turvo
a turva
mão do sopro
contra o muro
escuro
menos menos
menos que escuro
menos que mole e duro menos que fosso e muro: menos que furo
escuro
mais que escuro:
claro
como água? como pluma? claro mais que claro claro: coisa alguma
e tudo
(ou quase)
um bicho que o universo fabrica e vem sonhando desde as entranhas
azul
era o gato
azul
era o galo
azul
o cavalo
azul
teu cu

tua gengiva igual a tua bocetinha que parecia sorrir entre as folhas de
banana entre os cheiros de flor e bosta de porco aberta como
uma boca do corpo (não como a tua boca de palavras) como uma
entrada para
eu não sabia tu
não sabias
fazer girar a vida
com seu montão de estrelas e oceano
entrando-nos em ti

bela bela
mais que bela
mas como era o nome dela?
Não era Helena nem Vera
nem Nara nem Gabriela
nem Tereza nem Maria
Seu nome seu nome era…
Perdeu-se na carne fria
perdeu na confusão de tanta noite e tanto dia
perdeu-se na profusão das coisas acontecidas
constelações de alfabeto
noites escritas a giz
pastilhas de aniversário
domingos de futebol
enterros corsos comícios
roleta bilhar baralho
mudou de cara e cabelos mudou de olhos e risos mudou de casa
e de tempo: mas está comigo está
perdido comigo
teu nome
em alguma gaveta.

DEPRAVAÇÃO

E os amantes? - A Doutora Do Amor

Liz Christine

Escrever poesia sobre poesia?
Seu corpo é poesia
Sua voz me domina
Tão macia
Você é matéria-prima
Se converte
em poesia
Sua voz me derrete
Você é doce melodia
Que me aquece
Toque, pele, olhar
Basta respirar
Sua respiração
me excita
Porque arte é tesão
Paixão na escrita
Quero sua penetração

Invadida
Pela criação
Fudida
Por você, paixão
Eu quero, preciso e me entrego
Te amo e não mais nego
Não nego, omitir
Não é admitir…

Nem ouse perguntar
Escrevo por estar
Sentindo
Que amar
É forte, intenso, lindo
Seu olhar
Me despindo
Vem me seduzindo
Vem… e me abraça
E me pega
Com violência, amor
Sou devassa
Minha mão escorrega

E já estou te abraçando
Seus dedos deslizam
Provocando
Prazer… arrepios… desejos
Que se concretizam
E já estou segurando
A paixão concretizada
Não está mais assustando?
Amor… continue me depravando

Depravar é alterar
E estou me entregando
Te amar
Não está me machucando

Você tinha razão…
Amor é prazer e diversão
Com conteúdo
E tesão
Profundo
Amor é tudo

INSTINTOS

Veja quais posições sexuais eles gostam de fazer com as amantes

Ronilson Rocha

Tê-la como minha fêmea favorita
é o que manda meus instinto de macho
a razão acha esta idéia esquisita
mas o que importa é o que eu acho…

acasalar contigo no verão e na primavera
me aquecer contigo no frio inverno
meu desejo por ti espera
amar-te até no inferno

possuir-te por trás ou pela frente
em pé na parede ou deitados na cama
que loucuras passam em minha mente
quando penso em acender sua chama…

INSTINTOS

Ronilson Rocha

Tê-la como minha fêmea favorita
é o que manda meus instinto de macho
a razão acha esta idéia esquisita
mas o que importa é o que eu acho…

acasalar contigo no verão e na primavera
me aquecer contigo no frio inverno
meu desejo por ti espera
amar-te até no inferno

possuir-te por trás ou pela frente
em pé na parede ou deitados na cama
que loucuras passam em minha mente
quando penso em acender sua chama…

Amor – pois que é palavra essencial

Carlos Drummond de Andrade, em “O amor natural”. Rio de Janeiro: Record, 1992.


Amor – pois que é palavra essencial
comece esta canção e toda a envolva.

Amor guie o meu verso, e enquanto o guia,
reúna alma e desejo, membro e vulva.
Quem ousará dizer que ele é só alma?
Quem não sente no corpo a alma expandir-se
até desabrochar em puro grito
de orgasmo, num instante de infinito?
O corpo noutro corpo entrelaçado,
fundido, dissolvido, volta à origem
dos seres, que Platão viu completados:
é um, perfeito em dois; são dois em um.
Integração na cama ou já no cosmo?
Onde termina o quarto e chega aos astros?
Que força em nossos flancos nos transporta
a essa extrema região, etérea, eterna?
Ao delicioso toque do clitóris,
já tudo se transforma, num relâmpago.
Em pequenino ponto desse corpo,
a fonte, o fogo, o mel se concentraram.
Vai a penetração rompendo nuvens
e devassando sóis tão fulgurantes
que nunca a vista humana os suportara,
mas, varado de luz, o coito segue.
E prossegue e se espraia de tal sorte
que, além de nós, além da própria vida,
como ativa abstração que se faz carne,
a idéia de gozar está gozando.
E num sofrer de gozo entre palavras,
menos que isto, sons, arquejos, ais,
um só espasmo em nós atinge o climax:
é quando o amor morre de amor, divino.
Quantas vezes morremos um no outro,
no úmido subterrâneo da vagina,
nessa morte mais suave do que o sono:
a pausa dos sentidos, satisfeita.
Então a paz se instaura. A paz dos deuses,
estendidos na cama, qual estátuas
vestidas de suor, agradecendo
o que a um deus acrescenta o amor terrestre.