AQUELE VERÃO DE 96

Garota Oculta

Seguindo a onda de escritoras e escritores da quarentena, mais uma vez vou tentar meu regresso à vida de escritora. Explico… Comecei a escrever relatos na época longínqua do Orkut, e migrei aqui para a Casa dos Contos. Postei aqui no site apenas um conto, e tinha outros em produção, mas graças ao meu ritmo de vida, acabei por abandoná-los por um tempo. Muita coisa foi acontecendo na minha vida, e acabei perdendo/esquecendo tanto do login como da senha aqui do site. Não teve jeito, tive que fazer outro login para poder continuar postando.

Adoro escrever relatos. Não gosto de chamar esses textos de “contos”, pois são transcrições da minha vivência real, portanto a palavra “relato” encaixa-se mais ao propósito. Outra observação – os nomes que eu uso são reais, porém obviamente omito sobrenomes, e as localizações são na medida do possível imprecisas (às vezes é inevitável falar em localizações, portanto, às vezes até falo).

Meu único outro conto publicado aqui tem o título “Ainda sou a Chefe” (o link está na minha lista de favoritos). Sugiro lê-lo, pois foi um relato que fala de relação com colega de trabalho, muito gostoso tanto de escrever, quanto de relembrar…

O relato que preparei aqui fala de uma época um pouco mais distante. Tive minha infância nos anos 80, e adolescência nos anos 90. Foi entre 1995 e 2000 que tive minhas descobertas e experiências mais ousadas e inspiradoras. Acredito que possam deduzir minha idade agora. Meus pais sempre foram muito abertos quanto a sexualidade. Não tive grandes problemas com isso. Eles se conheceram nos anos 70, e acredito que essa época influenciou bastante no comportamento “cabeça aberta” deles. Minha mãe sempre teve um cuidado bacana comigo, e um comportamento digno de uma grande mulher da sua época. Nunca forçou a barra para que eu casasse virgem, com véu e grinalda (na verdade nunca casei…), e educou meu comportamento para que eu encarasse sexo como uma relação humana fisiológica, como um exercício físico e mental para ser feito com pessoas de alta confiança. Obviamente não éramos depravados em casa, mas sexo nunca foi tabu. Desde minha primeira experiência sexual, que não foi deixada em segredo com a minha mãe, fui levada ao ginecologista da família, que sempre cuidou direitinho da minha saúde e ajudou muito na minha educação sexual.

Por ter uma educação sexual bacana, minha iniciação sexual não foi traumática como com a grande maioria das meninas da época. Não houve tanta dor. Não houve trauma, desespero nem medo. Foi bem bacana, com uma pessoa incrível (com quem tenho amizade até hoje), mas não vou entrar nesse relato hoje. Aliás, relatos de “primeira vez” são tão piegas e desprovidos de erotismo para que possa interessar para um relato, que eu acredito que nunca vou contar pra ninguém como foi. É uma experiência que prefiro deixar entre eu e o felizardo (fui felizarda também)…

Mesmo com tudo isso, fiz algumas merdas, como qualquer adolescente que se preze. Mas sou grata à minha mãe por ter me conscientizado a não pôr um filho no mundo por pura imprudência.

Minha mãe é dentista (ainda trabalha), e meu pai tinha na época uma pequena produtora de vídeo, que produzia comerciais de TV para os canais locais, bem como gravações de casamentos, aniversários e afins. Ambos eram bem conhecidos na região, e graças à sólida clientela, viviam bem, e me deram muito conforto na infância e adolescência.

Quando nasci, lá no início dos anos 80, eram muito amigos de um casal uns 10 anos mais velhos que eles. Na quela época, meus pais estavam na faixa dos 20/22 anos, enquanto a tia Roberta e o tio Alfredo tinham seus 30 e pouquinhos. Minha mãe, Fátima, conheceu a tia Roberta na sala de espera do obstetra onde fizeram o pré-natal. Minha mãe grávida de mim, e a tia Roberta grávida do Bruno.

A amizade cresceu a ponto de tornarem-se quase irmãs, dado o grau de confiança que uma tinha na outra naquele momento tão lindo que é uma gravidez. Eu nasci no início do ano, em fevereiro, e bruno nasceu pouco mais de duas semanas depois. Foi inevitável – meus pais foram padrinhos do Bruno, e a tia Roberta e o tio Alfredo foram meus padrinhos. A amizade perdurou até hoje. Claro, sem nos vermos mais com tanta frequência nos dias de hoje, mas a tia Roberta é uma irmã para minha mãe até hoje.

Os dois casais tinham por hábito, todo verão desde a nossa infância nos anos 80 até meados dos anos 90, alugar uma casa no litoral norte de Santa Catarina, numa praia perto do que é hoje o Beto Carrero. Era uma casa grande de madeira, bem típica da época em Santa Catarina, pertíssimo da praia, de ondas baixinhas e água quentinha. A badalada Balneário Camboriú fica um pouco mais ao sul, mas não muito longe.

Entre 1995 e 1996, nossos amigos iam muito para as baladas em Balneário Camboriú. Tanto eu como o Bruno estávamos deslocados da nossa turma durante aquele verão. A maioria tinha apartamentos em Camboriú, Itapema e praias lá naquele reduto. Nós em Penha, mais ao norte, morrendo de saudades da galera.

Eu, pelo menos ainda pude curtir a galerinha bem no início daquele verão. Lá pra novembro/dezembro de 1995, antes do tradicional aluguel da casa que meus pais e meus padrinhos faziam todo ano, eu fiquei quase duas semanas em Balneário Camboriú na casa da Larissa, uma amiga da escola. Foram dias intensos, cheios de memórias (vou relatar alguns episódios aqui, daqui a uns dias, caso vocês queiram).

Toda manhã íamos de bicicleta até o extremo sul da praia. Lá pegávamos uma balsa, que atravessava um rio e dava acesso a outras praias da cidade, bem menos movimentadas e conhecidas. Sempre cedinho tinha uma turma de surfistas com quem fizemos amizade, e acabei entrando numa onda de “surfistinha”, com direito a tererê no cabelo, gosto musical peculiar e um namoro interrompido pelo início da minha estada em Penha, lá no norte.

Até dava pra ir de Penha pra Balneário Camboriú de ônibus, mas gastava-se cerca de 4 horas de ida, mais o mesmo de volta. Dava tanto trabalho, que tive que ficar longe do meu surfista por uns dias.

E em dezembro, lá pelo dia 15, pouco antes do natal, iniciava-se mais um verão de nossa “família buscapé”, junto com meus padrinhos e seu filho Bruno.

Bruno é um bom amigo. Não tínhamos na época aquela relação fraterna como nossas mães têm, mas ele é um dos meus melhores amigos. Um dos poucos que me chama pelo apelido “de dentro de casa”… Enquanto meus amigos me chamam de Soninha, em casa sou conhecida como Tininha. Coisa de bebê – eu tinha dificuldade de pronunciar meu nome quando pequena, eu me auto-referia como “Tininha”.

Bruno estava meio chateado como eu – também foi separado do grupo dele, e pra piorar, a namoradinha dele tava na casa dos parentes no interior de São Paulo.

Vocês, adolescentes de hoje, não viveram a época do telefonema interurbano caro, e das filas dos orelhões nas praias. A internet não se carregava no bolso como hoje, nem se pensava em smartphone. Ir para uma praia isolada naquela época aos 16 anos podia virar uma tortura se não houvesse companhia adequada.

Ao menos Bruno era um garoto querido, com quem eu tinha bastante carinho, mas a vibe dele era mais “nerd” de computadores e videogames, enquanto eu tava mais pra “surf”, atletismo e corridas na praia.

Para os nossos pais, praia naquele contexto era celebração diária. Todos os dias cedo abrindo janelas, fazendo café, som no pátio, fogo, carne… As mulheres na cozinha cortando cebola, tomate, legumes, cozinhando arroz, batata… Quando a gente é criança, isso é uma delícia. Ainda mais porque dura um mês inteiro. Mas quando adolescentes com turma e programas próprios, isso podia se tornar uma tortura depois de alguns dias.

Como eu tava naquela vibe de surfistinha, saúde, atletismo, aproveitava esse momento barulhento em casa e ia correr na praia (na real, na escola eu tava na equipe de atletismo, e adorava aquilo – torrei a paciência dos meus pais pra comprarem um “Rainha System”, que era o tênis com amortecimento mais cobiçado na época).

Tomava um copo de água bem gelada, comia uma banana, vestia meu top fitness (não existiam esses Calvin Klein e Speedo moderninhos de hoje, e pra quem tem peitão, simplesmente amassavam os seios com força. Desconfortável, mas pelo menos permitia a corrida sem “bater o peito na testa”), minha bermudinha Adidas, meu Rainha System, garrafinha d’água e ia correr das 7 até as 10 da manhã, intercalando com caminhadas.

Pessoal do resto do Brasil não imagina, mas o verão no sul é bem quente e abafado, às vezes mais quente do que o nordeste. Dez da manhã já está um sol escaldante, e eu chegava de volta da minha corrida matinal simplesmente fedorenta. Ia direto pro banho.

Uma rotina diária – abria o chuveiro quente, acho mais confortável quando venho com a pele quente. Ainda faço desse jeito no verão até hoje – vou da água bem quente baixando a temperatura até ficar refrescante, porém morno. Não gosto de banho frio, mesmo no calor. Nesse momento, com a água menos quente, eu dava uma revisada na depilação da virilha e axilas. Nos anos 90 ainda não se usava tanto a depilação zerada como hoje – nós deixávamos uma listra retinha, ou guiada pelo formato de triângulo invertido do biquíni. Eu tomava o cuidado de não deixar pelos muito altos, porque ficava molhado sob o biquíni quando mergulhava, e não era legal. Lavava bem as partes íntimas sob o chuveiro, ficava um tempão me molhando com água quente, abrindo os poros e só me ensaboava no final, fazendo espuma pelo corpo todo, enxaguando logo após com uma água um pouco mais fria. Praticamente um ritual, que me fazia muito bem.

Saía do banho refrescada, com sensação de dever cumprido após a corrida, e com meu biquíni arrumadinho pra praia do resto do dia.

Era ali entre dez e meia e onze horas que Bruno normalmente saía do quarto dele, um trapo com os cabelos desgrenhados. Todos pegavam no pé dele, principalmente o pai dele, que era muito brincalhão e espirituoso – “apareceu a margarida olê olê olá”, cantarolava às vezes o tio Alfredo, já com alguma pinga na cara.

Na primeira semana já dava pra ver que o Bruno não tava muito legal. Não estava muito de papo comigo. Conversávamos um pouco depois do almoço. Eu sempre convidava ele pra ir à praia. Posso contar nos dedos de uma mão as vezes que o Bruno topou me acompanhar na praia à tarde. Correr de manhã, nem pensar! Ficava no computador e no vídeo-game tardes e noites a fio. No ano anterior ele estava mais divertido, mas esse ano ele estava realmente mais recluso. Não era natural dele, porque embora nerd, quando jovem o Bruno era um garoto divertido.

E eu aproveitando a solidão pra pegar um bronze e observar os gatinhos da praia. Fiz amizade com a mulherada da vizinhança, e ia em grupo com ‘as tia’ tudo pra praia. Às vezes minha mãe e a tia Roberta iam também. Não era a minha turminha, mas tava me divertindo também. As véia safada de olho nos coroas, e eu de olho em todos! Rolava sempre aquela caixa de isopor com caipirinha e cerveja… ah, o verão!

Teve um dia que o Bruno acordou cedo. Tinha dormido cedo realmente, pois não ouvi os barulhos de videogame na madrugada. A casa era de madeira, e dava pra ouvir os plic-plocs eletrônicos do quarto dele.

Quando fui à cozinha tomar meu copo d’água matinal com banana, estava lá o garoto sentado comendo sucrilhos.

– Vamos correr, Bruno?

– Ah, Tininha, você sabe que eu não aguento correr nem até à esquina. E uma boa caminhada, você toparia?

– Topo, querido, vamos caminhar e respirar um ar puro da manhã, Bruno!

Minha corrida diária, naquela idade, era uma maravilha pra minha forma física. Hoje meu preparo físico ainda é bom, mas nada comparável aos meus 16/17 anos, com 10kg a menos e 100% a mais de energia pra queimar. A corrida diária era praticamente uma necessidade pra manutenção da minha saúde mental, porque esse tempo todo longe do meu boy, sem sexo, sem gastar energia a dois, era também complicado.

Comi dessa vez duas bananas. Fiquei observando o Bruno com a cara amassada comendo aquele prato de sucrilhos lentamente. Não observei antes, mas acho que ele comia aquilo todos os dias. Gosto de sucrilhos, mas acho enjoativo. Com a quantidade de açúcar e carboidrato, nem sei como Bruno era tão magrinho na juventude mesmo sedentário. Saímos mais tarde, não mais nas minhas habituais 7h, mas já era quase 8h. Descemos pela rua da nossa casa, andamos uns 100 metros até a via principal da praia, que já dava acesso em poucos metros à esquerda para a orla. Dia meio nublado, lembro que estava até mais abafado do que quando o sol brilhava forte. Não era corrida, mas o Bruno até que caminhava forte. Ele é bastante mais alto que eu, acho que uns 1,90 contra meus 1,65. No fim das contas, foi um bom exercício. Acabei não perdendo a manhã de corrida.

Estávamos pra começar o terceirão. Estudávamos na mesma escola, mas não na mesma turma. Começamos conversando sobre as provas finais do segundo ano, opções de vestibular para o próximo ano. Tínhamos o mesmo ódio pela professora de geografia, sempre tentando colocar suas opiniões políticas no meio da aula. Na caminhada de ida, conversamos muito sobre estudos, faculdade… Bruno ainda naquela viagem padrão dos adolescentes da minha época – “medicina ou direito”. Eu, talvez por influência do meu pai, não pensava apenas em faculdade. Pensava mais em algum curso técnico que pudesse me render grana mais cedo, pra depois fazer faculdade.

Na caminhada de volta, conversávamos sobre banalidades, relacionamentos e afins. O Bruno já conhecia minha fama. Num colégio conservador, menina que não fosse virgem tomava fama de vagabunda muito rapidamente. O paradoxo criado é que eu não negava, e não ligava pra isso. Talvez por isso eu não tivesse tantas amigas, e tivesse mais amigos. Enquanto eu dificilmente conversava sobre isso com minhas amigas (a Larissa era a única que me conhecia tão bem quanto Bruno), Bruno sabia de todos os garotos da escola com quem eu tinha transado naquele ano.

Bruno tava de rolo com uma menina de outra escola. Ele me contou que conheceu a Sandrinha numa locadora de vídeo-game. Eu a conhecia, tinha conversado com ela em alguma festa em que os dois estavam juntos. Ele não falava muito dela. Perguntei como estava esse rolo. Aí ele começou a desabafar. Que a Sandrinha era muito colada à família, que era difícil de convencê-la a sair de casa e ficava dando desculpas que a mãe dela não deixava, que era metida a gótica depressiva. O que eles tinham em comum era o gosto por games e rock metal. Aí no verão a Sandrinha foi pro interior de São Paulo. Foi ali que o Bruno começou a ficar mais sério:

– É, Tininha… nossa relação foi pro brejo. Confesso que não tô muito legal com isso. Conversei com ela por telefone ontem. Fiquei quase uma hora na fila do orelhão pra conversar menos de três minutos. Ela só dizia “uhum uhum”, nada de conversa. Tô triste, Tininha, não sei mais o que fazer.

– Meu, Bruno, estamos na praia, vamos aproveitar pra nos divertirmos! Foda-se a Sandrinha, desde quando vocês estão assim?

– Ah, desde novembro…

– E vocês estão juntos desde quando?

– Desde as férias de julho, quando a gente ia todos os dias na locadora.

– Tá, Bruno, o que aconteceu em novembro pra ela se transformar assim? Porque até então ela me parecia uma menina legalzinha!

– Ai, nem sei como dizer isso… é que… é que…

– Já sei! Vai dizer que só em novembro que vocês começaram a transar?

– Porra, Tininha, assim você me deixa sem graça! – disse Bruno corado de vergonha.

– Bruno, na boa, a menina linda daquele jeito e você só comeu ela quatro meses depois de começar o namoro?

– Tá, Tininha, eu não sou descolado como você… Eu era virgem… – falando agora quase chorando de vergonha. A gente tem intimidade pra esse tipo de assunto até hoje.

Eu ri. Tadinho do Bruno, o que será que teria acontecido pra Sandrinha começar a rejeitá-lo depois de transarem… E eu acho bem difícil que ela fosse virgem…

Chegamos em casa pouco depois das 10 horas. Bruno pediu pra ir ao banheiro antes. Esperei um pouco, e assim que ele saiu, parti para o meu ritual. Não estava tão fedorenta quanto as vezes que eu corria, mas também não queria dar chance de ficar malcheirosa.

Quando saí do meu banho, fui à sala de TV e deparei com o Bruno deitado no chão, apenas com uma almofada como travesseiro, desmaiado de sono, e a TV num canal passando desenho. Deitei no sofá, e adormeci também.

Acordei com minha mãe gritando lá da cozinha que o almoço estava pronto. Bruno já tinha levantado. Fomos à mesa lá de fora. Nossos pais não estavam bebendo as tradicionais ‘cerveja e pinga’ e não estavam com roupas de praia. Os quatro iriam depois do almoço a Florianópolis resolver algum problema de cartório do tio Alfredo. Não teve carne assada. Pra agilizar, mamãe fez uma torta de liquidificador e salada.

Ajudei a recolher os pratos e talheres, enquanto minha mãe e a tia Roberta já estavam lavando e enxugando, apressadas para pegar logo a estrada. Já passava das 14h, o movimento até Floripa seria intenso.

As “tia da praia” iriam passar em alguns minutos. Convidei Bruno pra ir junto à praia conosco. Ele topou. Eu já tava pronta desde quando saí do banho. Ele foi trocar a bermuda de caminhada dele por uma sunga preta e uma camiseta regata horrível. Detesto camiseta regata. Combina com pouquíssimas pessoas. A sunga preta, porém, é o básico – acho que a maioria dos homens ficam gatos com sunga preta. O Bruno é magrinho e alto, a bundinha pequena dele fica fofa demais com sunga preta! Quem aqui não vai à praia especificamente pra ficar de olho nas bundas?

Nossos pais já tinham saído. Pegamos a caixa térmica, jogamos um pacote de gelo, umas duas caixas de latinhas de cerveja e seguimos à praia pra nos encontrarmos com as tias, que acho que já estavam lá, pois não as vi passando enquanto limpávamos a mesa do almoço.

Chegamos lá, estavam as cinco tias já com uma caixa térmica, mas bebendo caipirinha. Nós chegamos com a cerveja. Acho que era Brahma. Quando a gente é nova, bebe qualquer coisa. Hoje me recuso a beber Brahma com a quantidade de opções de ótimas cervejas artesanais.

Tirei minha camisetinha e bermuda, e convidei o Bruno pra dar um mergulho. A praia de Penha, onde estávamos, tem água quentinha e poucas ondas. Praticamente uma piscina. E o bom de estar em turma grande é que dá pra deixar as coisas, tipo carteira, chave de casa, com a galera e ir mergulhar despreocupada.

Fui eu e o Bruno dar um mergulho. Tava uma delícia naquele dia, mesmo tendo amanhecido nublado, a água tava quentinha. Bruno ficava plantando bananeira e eu gostava de ficar boiando. Não tinha onda, então nada de surf ou pegar jacaré. Ficamos cerca de meia hora batendo papo na água, aí bateu a sede. Voltamos pra areia.

Abrimos nossa caixa, pegamos cada um uma latinha. As tia tudo sentadas, umas fumando, outras passando um copo enorme, daqueles feitos de meia garrafa de vidro, com uma caipirinha maravilhosa.

Foi ali que começou. Eu dava um gole, Bruno dava outro, e dá-lhe cerveja em cima. Comecei a ficar alta, bateu a tontura e a xixizeira. Cutuquei o Bruno e falei no ouvido:

– Bruno, preciso mijaaaaaar…!

– Ué, vai Tininha!

– Porra, Bruno, você não precisa mijar não? Vamos pra água, meu!

– Tá bom, Tininha! – levantando meio cambaleante. Acho que tava mais bêbado que eu…

Entrei na água, fui até o nível da água que bate nas “saboneteiras”. Bruno me acompanhando. Só puxei um pouco o elástico da parte de baixo do biquíni, e aliviei. Nossa, a sensação de aliviar o xixi quando a gente tá apurada demais é fantástica. Só perde para um orgasmo!

– Bruno, me diz uma coisa. Fala a verdade pra mim, pra mim você pode. O que aconteceu pra Sandrinha te maltratar só depois que vocês começaram a transar?

– De novo esse assunto, Tininha? Deixa eu esquecer ela!

– Não, Bruno, ninguém mexe com amigo meu!

– Tininha, vira essa página!

– Bruno, a gente tá bêbado, vai… Amanhã a gente esquece essa história. Eu quero detalhes sórdidos, me conta, vai! Quero saber de tudo!

– Tininha, é muito constrangedor, eu tenho vergonha até de lembrar o que me levou a terminar com ela…

– Bruno, você TERMINOU com ela? Você não tinha falado isso!

– Terminei. Já comecei minhas férias solteiro. E terminamos por telefone.

– Porra, mas você é um cafajeste, garoto! Não se termina por telefone! Regra número um do gentleman!

– Mas ela mereceu. Não tenho remorso, e acho que nem ela.

– Vai, o que aconteceu?

– Então… eu tava achando tudo muito divertido. Sabe como é, perder a virgindade é um negócio bom demais! Eu queria transar todos os dias, comprei estoque de camisinha. Foi ela que tomou a iniciativa, lá na casa dela. Clássico, né… aproveitamos a saída dos pais dela, e nosso amasso foi evoluindo até que transamos. Eu não conseguia acreditar, uma gata daquelas transando comigo, um nerd estranho como eu!

– É, a Sandrinha é lindona mesmo, mandou bem Bruno! Mas e aí?

– E aí que começou a ficar complicado transar. Na minha casa sempre tem alguém. Na casa dela a mesma coisa. Aí quando tudo dava certo, ou ela tava com dor de cabeça, ou menstruada. Tentei de tudo…

– Poxa, que triste, Bruno – pra mim, transar não era tão complicado como era pra ele. Saía sempre com caras mais velhos, e era normal morarem sozinhos, ou com pais mais liberais. Na minha casa não rolava, minha mãe era liberal, mas sempre deixou claro pra mim que casa não é motel. Na real, acho que era a forma dela de ser liberal e manter limite.

Bruno continuou – Triste? Isso não é nada. Minha tristeza começou semana passada, quando dei uma passada na casa dela, e ela não tava. Tinha saído pro mercado, que não é muito longe da casa dela. A mãe dela insistiu pra que eu entrasse e esperasse, pois ela logo voltaria.

– A mãe dela é gente fina?

– Sim, a dona Solange é muito querida, gosta de mim. Confia muito. Nem imagina que a gente tava transando. Aí naquele dia, enquanto esperava a Sandrinha voltar, fui na salinha do computador, que ficava ao lada da sala de TV, e resolvi usar o computador, que tava ligado, mas não estava conectado na Internet naquele momento. Tinha uma tela de ICQ aberta*, e a conversa ainda estava lá. Sei que é errado, mas li. Não que eu estivesse vasculhando. A tela estava aberta, e eu li. Eu nem ia mexer no computador. Ela conversava com uma menina, não lembro do nome, mas acho que era alguém da turma dela. O trecho que li me deixou sem chão, meu corpo gelou, fiquei até tonto. Ela falou que não sabia como fazer pra terminar comigo. Que eu era legal e tal, mas sexo tava sofrível. Que eu tinha um problema muito difícil de resolver.

*pausa para esclarecimento – quem viveu os anos noventa entendeu essa. Os computadores não ficavam o tempo todo conectados na Internet. A gente tinha que usar um dispositivo ligado na linha telefônica que fazia um monte de barulhos pra conectar na Internet, e não podia ficar muito tempo conectado, porque saía caro. Tempos difíceis! ICQ era um comunicador instantâneo, um Whatsapp rudimentar.

– Ai, credo, Bruno! Meu, que problema é esse tão difícil de resolver!?

– Tininha, é por isso que eu tô tão constrangido, mas meu… tô bêbado, foda-se, vou te contar. – falando e quase chorando, Bruno baixou o tom de voz – ela disse que o meu pau é muito pequeno, que parece de um bebê. Poxa, Tininha, eu sei que o meu pau é pequeno, mas não precisa contar pra todo mundo!! – avermelhando bem os olhos, mareados de lágrimas.

Confesso que eu acho que fiquei mais constrangida que ele. Nunca imaginei que um garoto pudesse desabafar esse tipo de coisa pra uma amiga. Provou que, embora ele fosse nerd e meio estranho socialmente, ainda cultivava uma amizade profunda comigo. Comecei a entender porque ele tava tão recluso naquele início de férias.

O clima ficou estranho, eu realmente não sabia o que dizer pra ele. Mesmo bêbada, eu ainda mantinha consciência suficiente pra não brincar com isso. Voltamos pra areia com as tias. Continuamos bebendo de forma imprudente pra nossa idade. Ficamos um pouco mais quietos depois daquele papo. Apenas ríamos das piadas da mulherada.

Eu era sexualmente bem mais experiente que ele, mas ainda assim, nunca tinha tido nenhum problema sexual que envolvesse algo mais complexo psicologicamente, portanto nunca tinha me preocupado com nada além da minha própria autoestima, que como toda garota de 16 ou 17 anos, nunca é das melhores.

Não ostentava um corpão lindo. Nunca fui a gostosona da turma nem nada. Tinha uma leve tendência a engordar, por isso cuidava muito de preparo físico. Sempre tive seios grandes, que eu considerava desproporcionais para o meu corpo e cheguei até a pedir pra minha mãe me levar a um cirurgião plástico pra falar sobre redução. Minha mãe sempre buscava o caminho de tentar me fazer enxergar o lado bom disso. Mas sabem como é, nessa idade, parece que nada é suficiente.

Mas tadinho do Bruno! Eu sabia muito bem que não tem como “aumentar” o pau. Eu já tinha visto alguns paus na minha vida, e já tinha alguma noção do que poderia ser “grande” ou “pequeno”. Fiquei remoendo a história, pensando na crueldade da Sandrinha. Ainda bem que ele terminou. Ainda vai achar uma garota legal!

Já passava das 17:30h. Naquele dia meio nublado, o final de tarde começou a ficar frio. Estávamos os dois bêbados, tontos, e com frio. Voltamos pra casa, ele carregando a caixa térmica.

Chegando em casa, bateu aquela canseira de praia com bebedeira, e acabamos desmaiando no sofá, com a TV ligada em algum programa aleatório, ainda de trajes de banho. Ele de sunga, mas sem camisa. Eu tava com uma camiseta bem comprida por cima do biquíni, tinha tirado a bermudinha porque estava desconfortavelmente molhada.

Não sei quanto tempo dormimos. Acordamos os dois, ao mesmo tempo, com o estouro do escapamento de alguma moto que passava na rua. Ele estava sentado, pés no chão, encostado bem no cantinho direito do sofá. Eu estava deitada com a cabeça sobre uma pequena almofada, no colo dele, sobre a coxa.

Passava o jornal local. Era talvez umas 19h de horário de verão, estava ainda claro. Eu ainda tava sob efeito do álcool. Ele, que tava com a cabeça pendida pra trás ao dormir, parecia estar com dor no pescoço.

Não falamos nada. Só acordamos, um olhando pro outro. Ele fez um cafuné perto da minha orelha. Não sei se isso foi um gatilho, não sei se foi a bebedeira. Me ajeitei de uma forma que, agora com as pernas encolhidas, fiquei de rosto perto do rosto dele. O beijo foi como um mergulho em outro mundo. As coisas giravam ao meu redor. O beijo dele ia explorando minha boca. Beijo bem alcoólico, dava pra sentir gosto de bebida.

Aquele beijo foi memorável. Estou conseguindo escrever com detalhes porque marcou demais. Era uma mistura de sensações, pois envolvia algo proibido – ele, um amigo de infância, filho da melhor amiga da minha mãe. Não haveria problema em namorarmos. Mas é que eu tinha namorado! E ele, teoricamente, também. Não era muito certo, e ainda assim, tava rolando.

Meu corpo inteiro levitava. Ele estava vulnerável. Eu segui o fluxo da energia. Paramos o beijo, cara a cara, olhando fundo nos olhos dele. Ele quis falar alguma coisa. Fiz aquele sinal de “shh” com meu dedo indicador na frente da boca dele.

Enquanto eu tava apoiada no braço do sofá, de frente pra ele, com o corpo torto, minha mão direita mergulhou dentro da sunga dele, que era folgada. Sem cerimônias, fui direto no pau dele. Tava muito duro. Apertei, com as bolas junto. Tenho certeza que doeu. Apertei por impulso, por tesão mesmo.

Tirei a mão de dentro da sunga, e falei baixinho – “Tira” – ele entendeu. Baixou a sunga devagarinho, com vergonha. Tava realmente com muita vergonha, tadinho. Ele não tirou a sunga totalmente, deixou nas coxas. Prudente, vai que nossos pais chegassem.

O pau dele saltado pra cima, muito duro, branquinho, veias ao redor meio esverdeadas, quase como varizes. Olhei com atenção, curiosa. Realmente pequeno, bem pequeno. Abracei com a palma da mão direita e os quatro dedos, com o polegar bem na pontinha. Sumiu na minha mão. Apertei, com força, dessa vez só o pau, sem apertar as bolas. Ele respirou mais fundo, me observando quieto. Puxei a pele pra baixo. A cabecinha, cor de chiclete, rosa, pulou brilhante. Nesse momento saltaram as veias. Saiu uma gotinha bem na ponta. Toquei a gotinha transparente, e afastei formando um fiozinho comprido. O pau deu um pulinho. Bruno suspirou mais fundo.

Olhei pro rosto dele, ele olhava minha mão. Desviou o olhar pros meus olhos. Voltei o olhar pro pau dele. Aproximei meu rosto do pau. Dei um beijinho só de lábio bem na pontinha da cabecinha dele e fechei os olhos. “Puta merda, o que fui fazer” – pensei rapidamente, sabendo que agora não tinha volta.

Mergulhei de vez na situação. Saí do sofá. Ajoelhei na frente dele. Puxei a sunga até as canelas dele, e pude abrir melhor as pernas dele. Com a mão esquerda, segurei com delicadeza as bolas dele. O pau deu outro pulinho. Abri a boca formando com os lábios tipo a letra “O”, aproximando-me do pau. Entrou inteiro, até perto da garganta. Tava salgado de praia ainda. Estiquei a língua o máximo que pude, e consegui tocar o saco dele com a pontinha da língua. Aí comecei a pressionar o pau com a parte de trás da língua, formando aquele colchãozinho por baixo do pau, e o pau encostado no céu da boca.

Acho que dá pra dizer que é um privilégio que só homens com pau pequeno têm – uma versatilidade incrível pra qualquer tipo de boquete.

Eu me esforcei pra fazer um um boquetinho lindo pro Bruno. Um menino tão querido, tão bacana, merece um boquete feito com capricho.

Fiz sem as mãos. Apenas segurando o saco com a mão esquerda, eu lambuzei bem aquele pau com saliva. Ele fez um carinho gostoso na minha bochecha, no meu queixo. Respirava forte, mas não gemia. Dava pra ver que ele tava se concentrando e se divertindo.

Quando ele fez aquele carinho, soltei o saco dele, puxei o pau pro ladinho, e comecei a forçar o pau contra a parte de dentro da bochecha, dando aquele desenho do formato da cabeça do pau na bochecha. Escapou. Puxei de volta. Tava muito molhado, escapou outra vez, e quando puxei o pau de volta ele falou “nã…”, e nem deu tempo.

Deu só um espasmo, e tentando segurar, saiu o segundo espasmo. Ali, minhas amigas e amigos, ele metralhou com força. Comecei a rir, meio bêbada, meio voltando à razão. O pau dele pulava e a cada pulo voava uma gota volumosa de porra densa, que fez barulho de gota de chuva quando uma delas acertou o chão. Não sei quantos espasmos ele deu.

Congelamos. Voltamos a si. Ele puxou rápido a sunga, vestiu de volta. Eu não tinha tirado uma peça de roupa sequer, tava de camiseta comprida e biquíni, exatamente como voltei da praia.

Corri para o banheiro. Minha camiseta tinha uma quantidade considerável de porra. Tinha um fio comprido que vinha da testa, passando perto da orelha que fazia a curva até debaixo da minha mandíbula.

Gritei do banheiro – “Vou tomar banho, tá?”. Ele respondeu só – “Tá”.

Minha buceta batia palminhas. Ensopada. Bem na hora da gozada dele, tive sensação de “quase” orgasmo, sem nem mesmo ter me tocado.

Tirei a roupa rápido. Joguei no cantinho debaixo da pia, deixei pronta pra jogar no tanque de molho. Se secasse aquela porra, ia ficar estranho pra mim.

Abri o chuveiro bem quente, me enfiei debaixo da ducha. Fiz bastante espuma com qualquer sabonete que estava por ali. Tirei aquela porra toda do rosto. A tontura da bebedeira foi sobreposta pela adrenalina do momento. Pensei… Caralho, foda-se.

Voltei pelada pra sala. Bruno ainda sentado, ainda em choque, mas de sunga vestida. Ele me olhou pelada, nunca tinha me visto nua. Levou meio que um pequeno susto e ficou congelado.

Falei – “Tira” – num tom do tipo “faça rápido”…

Ele tirou a sunga, pau meio encolhido meio duro, todo babado. Me encaixei de frente pra ele, ele ainda sentado. A penetração foi muito rápida, não havia tempo a perder. Nossos pais podiam estar já na esquina e nem sabíamos. Foi sem camisinha mesmo (tá aí a cagada que vez ou outra eu fazia, embora tomasse anticoncepcional).

Fui ajeitando o ângulo, pra frente, pra trás, não achava o encaixe certo. Na boa, nunca falei pra ele, mas realmente nem senti a penetração direito naquele momento.

Mas aí teve um momento que inclinei o corpo pra trás, fazendo ele esticar as pernas, e nesse ângulo, ele enfiando o máximo que conseguia, o saco tocando meu cu, comecei a fazer pequenos movimentos de oito, deu o encaixe. Não sei do quê com quê exatamente, mas o pau dele tocava uma região da minha vagina, bem no topo, pouco pra dentro da entradinha, que meus amigos…. Não precisou muito tempo, eu precisei de concentração pra seguir me segurando nas pernas dele pra não cair de costas e gozar ao mesmo tempo. Foi um orgasmo forte, de fechar os olhos e prender a respiração.

Voltei pro ângulo ereto, sentadinha de frente pra ele, joelhos no sofá, com o pau dele ainda penetrado. Ele então teve a chance de pegar meus seios. Juntou os dois, deu um beijinho em cada um e encheu meu ego…

– Com todo respeito, Tininha… Que peito lindo!

Dei uma “piscadinha” com a buceta, um pequeno “pompoar”, e ele sentiu e respondeu com um pulinho do pau. Abriu um sorriso. Não gozou de novo não.

Levantei. Voltei pro banho. Saí bem cheirosa, enrolada na toalha. Fui ao meu quarto, vesti uma roupinha leve. Voltei à sala, e ele continuava sentado, novamente com a sunga vestida.

– Bruno, vai tomar banho. Você tá com cheiro de mar, com porra, com buceta, querido…

Levantou gargalhando de rir… Foi ao banho, enquanto fiquei ali na sala.

Bati um papo com ele. Mandei a real – esse negócio de pau pequeno é assim mesmo. Não tem jeito, você vai ter que conviver com isso. Esse é o seu corpo. Vamos manter esse acontecimento entre a gente. Será nosso segredo, a chave da nossa amizade.

Hoje mais madura, eu tenho minha experiência, meus gostos, minhas taras. Mas sei que homem pra ser homem, tem que saber trepar. E mulher também! Mulher tem que saber trepar! Não dá pra deixar a responsabilidade só pra um.

Naquela época, éramos adolescentes, com muito tesão acumulado. Mas se não déssemos jeito de aliviar aquele tesão, aquela transa não teria acontecido daquele jeito. Hoje sei que cada um, numa trepada, é responsável pelo seu orgasmo. Foi o que fizemos na prática, sem a experiência que tanto eu como ele temos hoje. Ele gozou na minha cara, teve o orgasmo dele. Eu voltei lá e busquei o meu orgasmo. O pau dele era pequeno? Era, mas serviu pra eu gozar também!

Homens e mulheres de verdade se entregam ao momento. Autoestima faz parte, cada um tem que resolver a sua. Assim como o orgasmo!

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