HOMENAGEM A GLAUCO MATOSO

Poemas pornográficos extraídos do livro  POESIA DIGES  1974-2004.  São Paulo: Landy Editora, 2004.  Metadados: pornografia, poesia erótica, poesia pornográfica, poema pornográfico.

SONETO III BIZARRO

Coprófilo é quem gosta de excremento.
Pedófilo só trepa com criança.
Defunto fresco em paz jamais descansa
nos braços do necrófilo sedento.

Voyeur assiste a tudo, sempre atento
ao exibicionista, que até dança.
O fetichista transa até com trança,
e o masoquista adora sofrimento.

Libido, pelo jeito, é mero lodo.
A sensualidade faz sentido
conforme a morbidez sob a qual fodo.

Não basta o pé, precisa ser fedido.
Se tenho de escolher, pois, um apodo,
serei  um podosmófilo assumido.


SONETO 139 OROERÓTICO (OU OROTEÓRICO)

Segundo especialistas, a chupeta
depende da atitude do chupado:
se o pau recebe tudo, acomodado,
ou fode a boca feito uma boceta.

Pratica “irrumação” o pau que meta
e foda a boca até ter esporrado;
Pratica “felação” se for mamado
e a boca executar uma punheta.

Em ambos casos, mesma conclusão.
O esperma ejaculado na garganta
destino certo tem: deglutição.

Segunda conclusão: de nada adianta
negar que a boca sofra humilhação,
pois, só de pensar nisso, o pau levanta.


SONETO 673 FIMOSADO

Boquete especialista exige a estreita
fimose, pra que a glande não atrite.
A pele se arregaça até um limite
que a língua, na faxina oral, respeita.

Ao bico de chaleira se sujeita
quem chupa, sem direito a dar palpite.
Sebinho que no vão se deposite
vai sendo removido, e a boca aceita.

Bombeia a rola, lenta, sob o lábio,
abrindo-se o prepúcio no vaivém.
A mijo o sêmen sabe, e o sebo sabe-o.

Humilha-se uma boca muito além
da suja felação, e, até que acabe-o,
seu ato animaliza onde entretém.


SONETO 143 HIGIÊNICO

Se o orifício anal é um olho cego,
que pisca e vai fazendo vista grossa
a tudo que entra e sai, que entala ou roça,
três vezes cego sou. Que cruz carrego!

Porém não pela mão me prende o prego,
mas pela língua suja, que hoje coça
o cu dos outros, feito um limpa-fossa,
e as pregas, como esponja escrota, esfrego.

O “beijo negro” é o último degrau
desta degradação em que mergulho,
maior humilhação eu chupar pau.

Sujeito-me com náusea, com engulho,
ao paladar fecal e ao cheiro mau,
e, junto com a merda, engulo o orgulho.


SONETO DOS DESCUIDOS CHULOS (1496) 

Palavras são palavras… Se Chicago
é nome de cidade, sem falar
de Boston, Praga, Mérida, não cago
se chamo um nome sério de vulgar…

Se Bulhões de Carvalho eu batizar
a rua dum puteiro,nada vago
será o sentido dado. Esse lugar
do Rio sempre teve o pato pago…

Quem manda haver num nome som sacana?
Um cara de Timor chama Xanana,
não chama? E o mafioso era Buscetta!

Depois querem que eu seja cuidadoso!
Ou não me chamarei Glauco Mattoso,
ou gafes nada impede que eu cometa!

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