IT IS MORE DIFFICULT TO DO IT

E. M. de Melo e Castro


I speak harder
more difficult is I speak
that speak it
most difficult is language
than moon
more difficult is given
than give it away
harder dressed
than naked
easier is steel
than find it
easier to say it
that contain it
easier to bite it
that eat it
easier is opened
than certain
neither difficult nor easy
neither steel nor liquor
neither said nor contacted
nor color memory
just bitten just had
only molded only hard
just wet in the dark
just crazy with sense
easy to speak it
hard to contain it
the best is to shut him up
the best is to fuck you
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Mais difícil é falo

E. M. de Melo e Castro


mais difícil é falo
que falá-lo

mais difícil é língua
do que lua

mais difícil é dado
do que dá-lo

mais difícil vestida
do que nua

mais fácil é o aço
do que achá-la

mais fácil é dizê-la
que contê-la

mais fácil é mordê-la
que comê-la

mais fácil é aberta
do que certa

nem difícil nem fácil

nem aó nem licor
nem dito nem contacto
nem memória de cor

só mordido só tido
só moldado só duro
só molhada de escuro
só louca de sentido

fácil de falá-lo
difícil de contê-lo
o melhor é calá-lo
o melhor é fodê-lo

TRIBUTE TO GLAUCO MATOSO

Pornographic poems from the book POESIA DIGES 1974-2004. São Paulo: Landy Editora, 2004. Metadata: pornography, erotic poetry, pornographic poetry, pornographic poem.
SONETO III BIZARRO

Coprophile is the one who likes excrement.
Pedophile only fucks with a child.
Fresh dead in peace never rests
in the arms of the thirsty necrophile.
Voyeur watches everything, always attentive
to the exhibitionist, who even dances.
The fetishist even fucks with a braid,
and the masochist loves suffering.

Libido, apparently, is mere slime.
Sensuality makes sense
according to the morbidity under which I fuck.

The foot is not enough, it must be stinky.
If I have to choose, therefore, a nickname,
I will be an open podosmophile.

SONRO 139 OROERÓTICO (OR OROTEÓRICO)

According to experts, the pacifier
depends on the attitude of the sucked:
if the stick receives everything, accommodated,
or fuck your mouth like a pussy.

Practice “irrumação” the stick that targets
and fuck your mouth until you get spurted;
Practice “fellatio” if you are breastfed
and the mouth jerks off.

In both cases, the same conclusion.
The sperm ejaculated in the throat
right destination has: swallowing.

Second conclusion: there is no use
deny that the mouth suffers humiliation,
because, just thinking about it, the stick raises.

SONET 673 FIMOSADO

Specialist blowjob requires close
phimosis, so that the glans does not rub.
Skin rolls up to a limit
that language, in oral cleaning, respects.

The kettle spout is subjected to
who sucks, without the right to guess.
Sebinho who will not deposit
it is removed, and the mouth accepts.

Pumps the roller, slowly, under the lip,
opening the foreskin in the shuttle.
Semen knows how to piss, and tallow knows it.

A mouth humbles far beyond
of the dirty fellatio, and, until it’s over,
his act animalizes where he entertains.

SONETO 143 HYGIENIC

If the anal orifice is a blind eye,
that blinks and turns a blind eye
to everything that enters and leaves, that gets stuck or brushed,
I am three times blind. What a cross I carry!

But the nail doesn’t hold my hand,
but for the dirty tongue, which today itches
the ass of others, like a wiper,
and the pleats, like scrotum sponge, rub.

The “black kiss” is the last step
of this degradation in which I dive,
biggest humiliation i suck dick.

I subject myself with nausea, with embarrassment,
fecal taste and bad smell,
and, along with the shit, I swallow my pride.

SONNET OF THE CHULLE CARES (1496)
Words are words … If Chicago
it’s a city name, not to mention
Boston, Prague, Mérida, don’t shit
if I call it a vulgar name …

If Bulhões de Carvalho I baptize
the street of a whorehouse, nothing vague
it will be the direction given. This place
from Rio always had the duck paid …

Who says there is a name in a bastard?
A guy from Timor calls Xanana,
do not call? And the mobster was Buscetta!

Then they want me to be careful!
Or I will not be called Glauco Mattoso,
or gaffes nothing prevents me from committing!
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HOMENAGEM A GLAUCO MATOSO

Poemas pornográficos extraídos do livro  POESIA DIGES  1974-2004.  São Paulo: Landy Editora, 2004.  Metadados: pornografia, poesia erótica, poesia pornográfica, poema pornográfico.

SONETO III BIZARRO

Coprófilo é quem gosta de excremento.
Pedófilo só trepa com criança.
Defunto fresco em paz jamais descansa
nos braços do necrófilo sedento.

Voyeur assiste a tudo, sempre atento
ao exibicionista, que até dança.
O fetichista transa até com trança,
e o masoquista adora sofrimento.

Libido, pelo jeito, é mero lodo.
A sensualidade faz sentido
conforme a morbidez sob a qual fodo.

Não basta o pé, precisa ser fedido.
Se tenho de escolher, pois, um apodo,
serei  um podosmófilo assumido.


SONETO 139 OROERÓTICO (OU OROTEÓRICO)

Segundo especialistas, a chupeta
depende da atitude do chupado:
se o pau recebe tudo, acomodado,
ou fode a boca feito uma boceta.

Pratica “irrumação” o pau que meta
e foda a boca até ter esporrado;
Pratica “felação” se for mamado
e a boca executar uma punheta.

Em ambos casos, mesma conclusão.
O esperma ejaculado na garganta
destino certo tem: deglutição.

Segunda conclusão: de nada adianta
negar que a boca sofra humilhação,
pois, só de pensar nisso, o pau levanta.


SONETO 673 FIMOSADO

Boquete especialista exige a estreita
fimose, pra que a glande não atrite.
A pele se arregaça até um limite
que a língua, na faxina oral, respeita.

Ao bico de chaleira se sujeita
quem chupa, sem direito a dar palpite.
Sebinho que no vão se deposite
vai sendo removido, e a boca aceita.

Bombeia a rola, lenta, sob o lábio,
abrindo-se o prepúcio no vaivém.
A mijo o sêmen sabe, e o sebo sabe-o.

Humilha-se uma boca muito além
da suja felação, e, até que acabe-o,
seu ato animaliza onde entretém.


SONETO 143 HIGIÊNICO

Se o orifício anal é um olho cego,
que pisca e vai fazendo vista grossa
a tudo que entra e sai, que entala ou roça,
três vezes cego sou. Que cruz carrego!

Porém não pela mão me prende o prego,
mas pela língua suja, que hoje coça
o cu dos outros, feito um limpa-fossa,
e as pregas, como esponja escrota, esfrego.

O “beijo negro” é o último degrau
desta degradação em que mergulho,
maior humilhação eu chupar pau.

Sujeito-me com náusea, com engulho,
ao paladar fecal e ao cheiro mau,
e, junto com a merda, engulo o orgulho.


SONETO DOS DESCUIDOS CHULOS (1496) 

Palavras são palavras… Se Chicago
é nome de cidade, sem falar
de Boston, Praga, Mérida, não cago
se chamo um nome sério de vulgar…

Se Bulhões de Carvalho eu batizar
a rua dum puteiro,nada vago
será o sentido dado. Esse lugar
do Rio sempre teve o pato pago…

Quem manda haver num nome som sacana?
Um cara de Timor chama Xanana,
não chama? E o mafioso era Buscetta!

Depois querem que eu seja cuidadoso!
Ou não me chamarei Glauco Mattoso,
ou gafes nada impede que eu cometa!