MUTUM

Há um pedaço de dor

encravado entre as montanhas

desenhadas contra o céu

(ainda será azul?)

e um rio nascendo dos olhos

formando na queda a cachoeira.
(ainda será fria e funda?).

Há um começo vermelho de noite

correndo ao encontro do encanto da lua.

(ainda será dos namorados a velha rua?)

Há no peito embrutecido uma suave saudade

e um coração ferido comandando o sangue

que flui para o corpo.

Lá, por certo, o tempo se incumbiu

de sucumbir tudo.

E ninguém mais se lembra de olhar

a montanha encantada e pedir um querer

de madrugada.

Nem flutua no rio a escura canoa

e nenhum menino desafia mais o remanso

ao entardecer.

Por certo, só existe a saudade que sinto

de Mutum.

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