O ENCONTRO

Violência de faca — Fotografia de Stock

I

            Ele sonhou três noites com aquele mesmo rosto.

            Nos três dias que se seguiram, recordou o sonho, procurando fixar a imagem, com medo de não sonhar mais e a esquecer.

            Com o tempo, considerou a hipótese de existência da mulher.

            Talvez a tivesse visto, já, alguma vez, mesmo que rapidamente, e fixado a beleza do seu rosto no seu subconsciente.

            Ele sonhou outras três noites com aquele mesmo rosto.

            Apaixonou-se.

II

            Pouco a pouco, foi da paixão branda ao desvario.

            Começou, assim, a procurá-la por onde ia. Nas ruas e parques. Nas casas noturnas.

            Até nos bordéis, procurou por ela.

            Sem tréguas.

            Ele sonhava todas as noites com aquele rosto.

III

            Quando caiu doente, desnutrido e estafado, mandaram-no para o interior.

            Lá, um dia, na cidadezinha pequena onde nascera, numa noite fria de festa junina ele a viu em carne e osso.

            Carne rosada de sol.

            Ossos firmes de gente do campo.

            Inocência ainda primitiva.

            Sorriso franco na boca de dentes bonitos.        Ali, frente a frente.

            Então, num repente, ele a tomou nos braços.

IV

            Ninguém viu quando a faca feriu fundo.

            Apenas o rapaz, noivo da moça bonita do interior, foi visto pingando sangue, correndo no meio da rua, naquela noite.

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