SONG FOR JULIANA

Anjo, Asa, Anjinho, Amor, Anjo Da Guarda, Feminino

Ah, my life that ends a little
in the small body, of infinite beauty,
in blond hair, in beautiful skin,
in a love dream
leaving marks.
The broad smile on his face.
On the mouth, the daily kiss.
In the eyes, the blue of the sky.
Ah, my life that ends a little
in the greatness of love left cold
lost in time looking for cuddling,
loose in space looking for a port
which lost boat sailing offshore
without wind, without direction,
damaged.
Ah, my life that ends a little
in the little time I had
to love you, to want you so much.
Angel of my life
that on the day already set
left my arms empty
the disconsolate heart
and embracing the Boy God
took a seat
by your side.
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CANÇÃO PARA JULIANA

Anjo, Asa, Anjo Da Guarda, Figura, Fé, Face, Anjinho

Ah, vida minha que se acaba um pouco

no corpinho pequeno, de beleza infinita,

no loiro cabelo, na pele bonita,

num sonho de amor

deixando marcas.

No rosto, o sorriso amplo.

Na boca, o beijo diário.

Nos olhos, o azul do céu.

Ah, vida minha que se acaba um pouco

na grandeza do amor deixado frio

perdido no tempo à procura do afago,

solto no espaço à procura de um porto

qual barco perdido navegando ao largo

sem vento, sem rumo,

avariado.

Ah, vida minha que se acaba um pouco

no pouco tempo que tive

de amar-te, querer-te tanto.

Anjinho da vida minha

que no dia já marcado

deixou meus braços vazios

o coração desconsolado

e abraçando o Deus-Menino

tomou assento

ao seu lado.

RUNNING AWAY

Paisagem, Estrada, Natureza, Cênica, Céu

I’ll release
my glory song
go out on a sunday
and stay around
with a friend
without doing anything.
I’ll be lazy
and in a nice sleep
try to forget you.
But deep down,
deep down,
I need to say:
what else do I want,
in the world,
is to dream about you.

FUGA

linear perspective- Lines and vanishing points used to depict the diminishing sizes and recession of objects as they seem to move further away in the picture plane.

Vou soltar

o meu canto de glória

sair num domingo

e ficar por aí

com um amigo

sem nada fazer.

Vou ficar preguiçoso

e num sono gostoso

procurar lhe esquecer.

Mas no fundo,

bem no fundo,

eu preciso dizer:

o que mais eu quero,

no mundo,

é sonhar com você.

THE DATE

Faca do crime sangrento — Fotografia de Stock

I

He dreamed of that same face three nights.
In the three days that followed, he recalled the dream, trying to fix the image, afraid of not dreaming anymore and forgetting.
Over time, he considered the hypothesis of the woman’s existence.
Perhaps he had already seen her, even if only briefly, and fixed the beauty of her face in her subconscious.
He dreamed of another three nights with that same face.
Fell in love.

II

Little by little, it went from mild passion to madness.
So he started looking for her wherever he went. In the streets and parks. Nightclubs.
Even in brothels, he looked for her.
No truce.
He dreamed about that face every night.

III

When he fell ill, malnourished and fatigued, he was sent to the countryside.
There, one day, in the small town where she was born, on a cold night of June, he saw her in the flesh.
Pink meat from the sun.
Firm bones of country people.
Innocence still primitive.
Frank smile on the mouth of beautiful teeth. There, face to face.
Then, suddenly, he took her in his arms.

IV

No one saw when the knife hit deep.
Only the boy, engaged to the beautiful country girl, was seen dripping blood, running in the middle of the street that nigh

O ENCONTRO

Violência de faca — Fotografia de Stock

I

            Ele sonhou três noites com aquele mesmo rosto.

            Nos três dias que se seguiram, recordou o sonho, procurando fixar a imagem, com medo de não sonhar mais e a esquecer.

            Com o tempo, considerou a hipótese de existência da mulher.

            Talvez a tivesse visto, já, alguma vez, mesmo que rapidamente, e fixado a beleza do seu rosto no seu subconsciente.

            Ele sonhou outras três noites com aquele mesmo rosto.

            Apaixonou-se.

II

            Pouco a pouco, foi da paixão branda ao desvario.

            Começou, assim, a procurá-la por onde ia. Nas ruas e parques. Nas casas noturnas.

            Até nos bordéis, procurou por ela.

            Sem tréguas.

            Ele sonhava todas as noites com aquele rosto.

III

            Quando caiu doente, desnutrido e estafado, mandaram-no para o interior.

            Lá, um dia, na cidadezinha pequena onde nascera, numa noite fria de festa junina ele a viu em carne e osso.

            Carne rosada de sol.

            Ossos firmes de gente do campo.

            Inocência ainda primitiva.

            Sorriso franco na boca de dentes bonitos.        Ali, frente a frente.

            Então, num repente, ele a tomou nos braços.

IV

            Ninguém viu quando a faca feriu fundo.

            Apenas o rapaz, noivo da moça bonita do interior, foi visto pingando sangue, correndo no meio da rua, naquela noite.

WHEN WINTER ARRIVES

De Inverno, Amanhecer, Segredo, Luz

When winter comes
and the cold of the night
on any night
disturb your sleep,
leaves, in a dream,
I warm your body
with my body,
of love I have.
I will give you love
and you will give me tenderness.
Then, in the morning, then,
upon waking, early,
even knowing far away this adventure
we will be two, both, looking for
affection.

QUANDO O INVERNO CHEGAR

De Inverno, Neve, Abetos, Inverno

Quando o inverno chegar

e o frio da noite

numa noite qualquer

incomodar o teu sono,

deixa, num sonho,

eu aquecer o teu corpo

com o meu corpo,

que de amor disponho.

Eu te darei amor

e me darás ternura.

Depois, pela manhã, então,

ao acordar, cedinho,

mesmo sabendo longe esta aventura

seremos dois, os dois, a procurar

carinho.

HANGER

Menina, Praia, Jangada, Sapo, Onda, Fantasia

I

            The dawn was cold and the wind from the sea scratched the skin on his arms.

            The father’s hand in his hand was warm, a little warm. Her feet sank into the sand on the beach.

            Even barefoot, he had no difficulty walking.

            Coming from afar, the sound of the waves hitting the rocks of the reef was like thunderstorms.

            He walked the same way he did every morning. Shut up. The thought loose like a seagull.

            He was ten years old and soon he would also be accompanying his father, on the high seas.

            When the raft left, it was just in the sand, looking for a while, as it always did.

            Then he returned the same way he had come with the old fisherman.

            I was only ten and I had all day to do the same things I always did.

II

            When the raft left, it was just in the sand, looking for a while, as it always did. Then he returned the same way he had come as the old fisherman. I was ten and I had all day to do the same things I always did.

III

            In the afternoon, when the sun was going down to disappear in the sky, he was there, as he always had, waiting for his father’s arrival.

            He was, as always, curious to know how many fish he would bring, this time.

            When they arrived, they all came silent.

            They did not sing for joy, as was the custom.

            He counted the rafts on the beach five times.

            Then he discovered that one of them had not returned.

IV

            With eyes still red with tears, he walked.

            The dawn was cold and the wind from the sea scratched the skin on his arms. The older brother’s hand was warm, with a pleasant warmth.

            He walked quietly, as he always did, every night.

            He was ten years old and would soon be at sea with his brother.

JANGADEIRO

Praia, Jangada, Férias, Água, Oceano, Verão, Relaxar

I

            A madrugada estava fria e o vento vindo do mar arranhava a pele de seus braços.

            A mão do pai em sua mão era morna, de um calorzinho gostoso. Os seus pés afundavam na areia da praia.

            Mesmo descalço, não tinha nenhuma dificuldade para caminhar.

            Vindo de longe, o ruído das ondas ao chocarem-se com as rochas do arrecife era como trovadas.

            Ele caminhava da mesma forma com que fazia todas as manhãs. Calado. O pensamento solto como gaivota.

            Tinha dez anos e dentro em breve também estaria acompanhando o pai, em mar alto.

            Quando a jangada partiu,ficou só na areia, olhando por algum tempo, como sempre fazia.

            Depois, voltou pelo mesmo caminho pelo qual viera com o velho pescador.

            Tinha só dez anos e tinha todo o dia para fazer as mesmas coisas de sempre.

II

            Quando a jangada partiu,ficou só na areia, olhando por algum tempo, como sempre fazia. Depois, voltou pelo mesmo caminho pelo qual viera como o velho pescador. Tinha dez anos e tinha todo o dia para fazer as mesmas coisas de sempre.

III

            À tarde, quando o sol declinava já para sumir no céu, ele estava lá, como sempre fizera, a esperar a chegada do pai.

            Estava, como sempre, curioso para saber quantos peixes traria, dessa vez.

            Quando chegaram, vieram todos calados.

            Não cantavam de alegria, como era de costume.

            Ele contou por cinco vezes as jangadas na praia.

            Então, descobriu que  uma delas não voltara.

IV

            Com os olhos ainda vermelhos de pranto, ele caminhava.

            A madrugada estava fria e o vento vindo do mar arranhava a pele de seus braços.                A mão do irmão mais velho estava morna, de um calorzinho gostoso.

            Ele caminhava calado, como sempre fizera, em todas as madrugadas.

            Tinha dez anos e em breve estaria em mar alto, com o irmão.