NÃO TIVE TEMPO..

                                                     

Mala, Menina, Sair, Criança, Pessoa

              

Não tive tempo nenhum para dizer qualquer coisa. Esta não é a melhor forma de se despedir. Mesmo sabendo que não será por muito tempo esta não é a melhor maneira de se despedir saindo cada um para o seu lado eu prá cá você prá lá como se dançássemos um bolero dois a dois no escurinho da pista de dança que me lembro tão bem de quando ainda morava na minha terra.

Não tive tempo de falar que eu queria você outra vez que eu já tinha dito antes naquela mesma noite uma vez só e queria dizer mais mas não deu tempo nem de beijar os seus lábios que eu não tinha tido tempo de beijar tão depressa nós saímos cada um pra o seu lado.

Não tive tempo nem de desejar boa noite direito que só falar boa noite não é nada tem que ser dito com  os olhos olhando dentro dos olhos e os lábios formando um beijo eu a amo vai com Deus cuidado que a quero muito e nada deve lhe acontecer pra que eu não sofra muito mesmo.

Não tive tempo nem de apertar suas mãos nas minhas mãos porque o tempo não deixou de tão curto que foi correndo depressa demais para me separar de você.

Eu nunca tomei você direito nos meus braços mas já imaginei mil formas de abraçar você com muito carinho e amor que tenho para poder sentir o quanto de amor você me tem me abraçando.

Quando você está comigo fico sentindo o seu corpo se chegando pra junto do meu corpo e me dá um calorzinho gostoso de gostar de você de tanto assim como eu gosto e de poder abraçar você onde eu estiver porque agora não deu tempo nem prá dizer direito eu quero amar você cada vez mais porque sei que me ama como eu a amo mas a pressa foi grande demais de acabar como o nosso tempo de falar tudo o que queríamos.

I DID NOT HAVE TIME…

Adeus, Ondulação, Menino, Cumprimentar


I didn’t have time to say anything. This is not the best way to say goodbye. Even though I know it won’t be for long, this is not the best way to say goodbye by leaving each one to your side. Here you go there as if we were dancing a bolero two by two in the dark of the dance floor that I remember so well. when I still lived in my land.
I didn’t have time to say that I wanted you again that I had said before that same night just once and I wanted to say more but there wasn’t even time to kiss your lips that I didn’t have time to kiss so quickly we went out each one for your side.
I didn’t even have time to wish good night right, just saying good night is nothing to be said with your eyes looking into your eyes and your lips forming a kiss I love you go with God care I want you very much and nothing should happen to you so that I don’t really suffer.
I didn’t even have time to squeeze your hands in my hands because time was so short that I was running too fast to be separated from you.
I never took you right in my arms but I have already imagined a thousand ways to embrace you with much affection and love that I have to be able to feel how much love you have me embracing me.
When you are with me, I feel your body coming closer to my body and it gives me a nice warmth to like you as much as I like and to be able to hug you wherever I am because now I didn’t have time to say it right I want to love you more and more because I know you love me as I love you but the rush was too great to end as our time to say everything we wanted.

SWEETHEART

Olhar Triste - Página inicial | Facebook

Sweetheart,
  we’re all here exactly
where we were, when you left us.
A little bit more suffering, sadder,
but still united by the same love
that was in us when he left us.
Sweetheart,
we are still playing the same games,
smiling the same smiles
and dreaming almost the same dreams.
We survive and we will survive, sweetie,
for as long as we are allowed, by the Father.
After,
then it will be a great party
in their reunion.

AMORZINHO

Amorzinho,

 estamos todos aqui exatamente

onde estávamos,  quando você nos deixou.

Um pouco mais sofridos, mais tristes,

mas ainda unidos pelo mesmo amor

que havia em nós, quando nos deixou.

Amorzinho,

estamos ainda brincando as mesmas brincadeiras,

sorrindo os mesmos sorrisos

e sonhando quase os mesmos sonhos.

Sobrevivemos e sobreviveremos, amorzinho,

por quanto tempo nos for permitido, pelo Pai.

Depois,

depois será uma grande festa

no seu reencontro.

Amorzinho,

estamos todos aqui, exatamente

onde estávamos quando você nos deixou.

Apenas o seu lugar

não será mais, nunca mais, ocupado

outra vez.

A CAÇADA

I

            Ponai-é encostou a lança no tronco da árvore, ergueu a cabeça e, com a mão direita erguida frente ao rosto, buscou alcançar o mais longe possível com o olhar.Apenas viu o verde da folhagem indo e vindo de leve, com o vento. Estufou as narinas. Nenhum cheiro que não fosse conhecido. Foi quando ouviu o som abafado.

             Apanhou a lança e caminhou com cuidado, para a frente. Seus pés pareciam flutuar, tão pouco ruído faziam. O  farfalhar das folhas roçando em seu corpo podia ser atribuído ao vento.

            Ponai-é caminhava tenso.

            A cada metro percorrido, aumentavam os cuidados. O som agora era mais forte. Preparou-se para o ataque. O corpo arqueou-se devagar. O braço erguido tinha os músculos fortes firmes como cipós entrelaçados. O outro braço fazia mira frente ao corpo. Os olhos pequenos estavam fixos no alvo.

            Ponai-é fez o arremesso.

II

            Ela estava enrodilhada.Apenas a cabeça estava erguida, não sendo visível entre as folhagens caídas ao chão. Os olhinhos redondos parados fixavam à sua frente.      

           Estava imóvel.

            Somente a língua finíssima movimentava-se, indo e vindo.

            O corpo multicolorido se contorceu um pouco, com um ligeiro e quase imperceptível estremecimento.

            A boca desarticulada abriu-se rápida, expondo duas presas como lâminas.                               Curvas. Fatais.

                Como um relâmpago colorido lançou-se no ar

III

            Os enormes patos selvagens esvoaçavam sobre o lago.

            Suas grandes asas, quando agitadas, produziam nele pequenas ondas. Mergulhavam na água e se erguiam com minúsculos peixinhos nos longos bicos arredondados.

             Eram tantos e tão despreocupados estavam que só se assustaram quando um, atingido em cheio pela lança arremessada com precisão, soltou gritos alucinados e se debateu sobre a água.

             O bando, então, partiu em barulhenta revoada.

IV

O lago, antes calmo, estava agora agitado e tingindo- se de vermelho.

No meio, boiando, o enorme pato selvagem não se debatia mais.

            A víbora rastejou entre preguiçosa e sonolenta, o corpo remexendo-se entre a folhagem.

            Ponai-é, a boca retorcida num último desesperado esforço para respirar e conter a dor, estava caído de costas, contorcendo-se, a mão esticada sobre a perna de onde escorria um pequeno filete de sangue.

            Em minutos, a floresta voltou a ser silenciosa, bela, atraente e misteriosa como são e devem ser todas as coisas desconhecidas.

THE HUNT

I

Ponai-é leaned the spear against the trunk of the tree, raised his head and, with his right hand raised in front of his face, tried to reach as far as possible with his gaze. He only saw the green of the foliage coming and going slightly, with the wind . He puffed his nostrils. No smell that was not known. That was when he heard the muffled sound.
He picked up the spear and walked carefully forward. Her feet seemed to float, so little noise made. The rustle of leaves brushing his body could be attributed to the wind.
Ponai-é walked tense.
With each meter traveled, the care increased. The sound was louder now. He prepared for the attack. The body arched slowly. The raised arm had strong muscles as firm as vines intertwined. The other arm aimed at the body. The small eyes were fixed on the target.
Ponai-é made the pitch.

II

She was curled up. Only her head was raised, not visible among the fallen foliage. The round little eyes were fixed in front of him.
           It was immobile.
Only the thinest tongue moved, coming and going.
The multicolored body contorted a little, with a slight and almost imperceptible shiver.
The disjointed mouth opened quickly, exposing two fangs like blades. Curves. Fatal.
Like a colorful lightning bolt launched in the air

III

Huge wild ducks fluttered over the lake.
Its large wings, when flapping, produced small waves in it. They plunged into the water and rose with tiny fish on their long round beaks.
There were so many and so unconcerned that they were frightened only when one, hit directly by the spear thrown with precision, let out crazy screams and struggled over the water.
   The gang then left in a loud flight.

IV

The lake, once calm, was now agitated and dyed red.
In the middle, floating, the huge wild duck was no longer struggling.
The viper crawled between lazy and sleepy, its body stirring among the foliage.
Ponai-é, his mouth twisted in a last desperate effort to breathe and contain the pain, he was lying on his back, writhing, his hand stretched over his leg from which a small trickle of blood oozed out.
Within minutes, the forest returned to being silent, beautiful, attractive and mysterious as they are and must be all things unknown.Enviar feedbackHistóricoSalvasComunidade

AT TWO HUNDRED AN HOUR

Já dirigimos: Ford GT é carro de corrida para as ruas

At two hundred an hour,

there is no God.

At two hundred an hour,

there is only the wind out there

and the rigid body

on the steering wheel.

At two hundred an hour

on the straight of life

there is nothing,

nor the living wound of time.

Just the certainty of freedom,

flying to meet

of danger.

There will always be,

  somewhere,

a crazy flying

and dying

at two hundred an hour.

A DUZENTOS POR HORA

Estrada, Escuro, Nevoeiro, Spooky, Rua

A duzentos por hora,

não existe Deus.

A duzentos por hora,

só existe o vento lá fora

e o corpo rígido

no volante.

A duzentos por hora

na reta da vida

não existe nada,

nem a ferida viva do tempo.

Apenas a certeza da liberdade,

voando ao encontro

do perigo.

Haverá sempre,

 em algum lugar,

um maluco voando

e morrendo

a duzentos por hora.