RECOMEÇO

Eu queria ter ligado há mais tempo, mas, até então, havia faltado coragem. Tinha receio de como seria a recepção que teria. Afinal, o passado já estava tão distante que mais parecia ter sido apenas um sonho. Embora as recordações, as lembranças, as imagens estivessem tão vivas na minha memória que a impressão que eu tinha era a de que tudo tivesse acontecido conosco agora mesmo, pouco antes de eu ter feito a ligação. Ontem. Tudo parece ter acontecido ontem. Embora já se tenha passado alguns anos. Alguns, não, Quatro, para ser mais precisa.

Até que ele atendesse, foram cinco toques do telefone. Eu os contei mentalmente. Se tivesse tocado mais duas vezes, na sétimo, eu teria desligado. Vou esperar tocar sete vezes e se não atender eu desligo, decidi. No quinto toque ouvi o “alô” e demorei uns segundos para me aperceber que aquela era a voz que eu tanto esperava ouvir. Quando respondi “é a Kátia, você ainda se lembra de mim?” deu pra sentir que ele titubeou, como se tivesse levado um choque e perdido por um instante a fala. Quando perguntou se era eu mesma e como eu estava, eu lhe respondi, com um risinho, caprichando na voz “ sou eu sim, eu mesma em carne e osso e se quer saber, ainda continuo gostosa”.

Ele sempre me achara gostosa. Desde antes de dar pra ele, ele já tinha dito umas dez vezes que eu era muito gostosa. A gente nem namorava e ele já me comia com os olhos quando eu passava por ele, com minhas amigas, na pracinha da fonte luminosa, na nossa cidadezinha do interior de Minas. Ele ficava parado me olhando e fingindo que não olhava enquanto eu também fingia que não via os olhares dele. Até que uma noite ele me parou dizendo não sei mais o quê, umas bobagens só pra não ficar calado. Eu, quando dei por conta, já estava sozinho com ele. Tinha deixado as minhas amigas continuarem a andar pela praça e tinha ficado para trás, andando com ele do meu lado. Foi a primeira vez que nos falamos.

No outro dia nos beijamos. Na realidade, foi ele quem me beijou. Eu fiquei meio atrapalhada quando ele me segurou pela cintura, puxou o meu corpo para junto do seu corpo e me beijou na boca. Assim, sem mais nem menos. Eu sabia que iria acontecer um beijo entre nós, mas não esperava que fosse um dia depois de conversarmos pela primeira vez. No inicio foi um susto. Mas foi crescendo um calor dentro de mim e me entreguei com vontade ao beijo. Que passou de beijo assustado para um beijo gostoso. Demorado. Estávamos encostados em uma das árvores da pracinha.

Eu já tinha beijado outros meninos e já tinha feito algumas sacanagens mas nunca tinha dado. Era virgem. Mas cada vez que ele me abraçava e beijava eu queimava de vontade de dar pra ele. Quando sentia então que ele estava de pau duro aí é que a vontade pegava forte mesmo. Tinha de me conter. Não tinha uma só vez que eu não voltava pra casa com a buceta toda molhadinha. Agora, ali estava ele falando comigo ao telefone e eu, outra vez, sentindo um enorme tesão por ele. Ah, como seria bom se ele estivesse me comendo gostoso neste momento.

Enquanto falávamos minhas lembranças iam voltando mais fortes.Dava pra sentir o calor do seu corpo apertando o meu. A impressão que eu tinha era de que se esticasse as mãos poderia tocar o seu cacete duro, pegar nele, abaixar e chupar. Ah, eu quero que me foda novamente. Como eu quero, pensava.

Num instante, a imagem voltou forte e se tornou quase real. Eu estava na sua casa. Tinha ido visitá-lo. Ele estava muito gripado, com febre e havia faltado  às aulas daquela manhã. Eu havia entrado até o seu quarto e percebera que ele estava sozinho em casa. Disse-lhe que havia ido cuidar dele. Ficamos conversando um bom tempo e , de repente, falei que queria ser sua, que tinha ido lá para dar pra ele, que queria que ele me fodesse bem gostoso. Tranquei a porta, tirei a minha roupa e deitei-me na sua cama e o abracei. Não foi agradável, sinceramente, essa minha primeira foda. Ele me disse, meio sem jeito, que nunca tinha metido de verdade, que só tinha tirado uns sarros, e que só tinha gozado até aquele dia batendo punheta ou com alguma menina batendo punheta nele. Foder mesmo, eu tinha sido a primeira. Eu fui a primeira mulher da sua vida e ele foi o primeiro homem a foder a minha bucetinha.

“Ah, você não tem como deixar de ser gostosa”, ele me disse. “Aposto que ainda fode gostoso como fodia antigamente ou melhor até, estou enganado?”  Eu lhe disse que não estava enganado, que ainda fodia gostoso, que nunca alguém que me fodera tinha reclamado, que o que eu fodia ainda dava pro gasto e terminei com uma gargalhada. Aproveitei para dizer que ainda me lembrava de como ele me fodia gostoso, que nunca ninguém tinha me comido gostoso como ele comia. Que ainda sentia como era o quando ele enfiava o seu pau em mim e me fazia gozar. Que ainda sonhava com ele me fodendo e me fazendo gozar de novo como antigamente. As últimas frase eu já falei apenas sussurrando de tanto tesão que sentia. Enquanto falava, ia cruzando e descruzando as pernas, sentindo o gozo descendo coxa abaixo. Era um gozo gostoso o que eu gozava enquanto ouvia a sua respiração forte ao telefone.

Quando perguntou se eu havia casado eu lhe disse que não que ele devia se lembrar de que eu lhe dissera um dia que só me casaria com ele. E que eu havia sumido porque tinha passado um tempo no exterior, em outros países, estudando e trabalhando. Mas que nunca o esquecera. Que sempre me lembrava dele me fodendo, que sonhava com o seu pau entrando gostoso em mim, que as vezes sentia vontade de chupar o seu caralho. E que lá, em outro país, eu chorava quando o seu pau me fazia falta.

Sorri de felicidade quando ouvi dele que também não tinha casado, que tinha um restinho de esperanças de me encontrar de novo, que havia me procurado por uma parte desse mundão, que tinha pensado até que eu tinha morrido. E que estava de pau duro falando comigo. Vontade pura de me foder novamente. Rimos, então, juntos.

Foi quando o convidei para sair no outro dia. Ele aceitou e, antes de desligar, me disse apenas “foi bom falar com você, meu bem. Até amanhã”

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