FOI BOM FALAR COM VOCÊ

Era sábado a noite, umas nove horas e eu estava em casa, esperando começar a transmissão de um jogo do Flamengo, quando o telefone tocou. Levantei do sofá, resmungando um quem pode ser pra me encher o saco logo agora, e fui atender. Quando ouvi a voz que respondeu ao meu alô o meu coração deu um sobresalto, bateu mais forte e quase não consegui falar. Minhas lembranças dispararam em um estranho processo de revivência e voltei ao passado, como houvesse dado um pulo para trás, no tempo.

Estávamos novamente de mãos dadas, caminhando por uma ruazinha de uma cidade do interior de Minas, bem distante no tempo, já quase perdida na memória. Conversávamos e ela me dizia, com a voz aveludada e encantadora, que nunca iria se separar de mim, que seu amor era tão grande que não podia ser medido e que eu era a sua razão de viver.

Depois, paramos e ali, no meio da rua, ela me beijou de uma forma apaixonada, sem se preocupar com possíveis testemunhas.

Lembrei-me da primeira vez que a vi, quando passou por mim na calçada da pracinha da fonte luminosa, me olhando de uma maneira especial, como se quisesse que eu a seguisse. Na volta seguinte, fez de conta que não se importava comigo e passou direto, conversando com duas amigas, mas voltando a cabeça quando já tinha passado, só pra ver se eu também a estava olhando. E me deu um sorriso. Na outra volta eu a fizera parar e começamos uma conversa sem pé nem cabeça e saímos sozinhos, os dois, deixando as suas amigas seguirem em nossa frente.

Foi no outro dia que nos beijamos pela primeira vez. Um beijo tímido no começo, mas que foi se tornando mais corajoso, atrevido e sem vergonha na medida em que os dias passavam.

Alô, é você mesma ou será que estou sonhando? Perguntei mesmo tendo a certeza de que era ela. Há quanto tempo, eu disse depois que ela confirmou dizendo que era ela mesma, em carne e osso. Quando perguntei como estava, deu uma pequena risada abafada e respondeu, continuo gostosa, se é o que quer saber.

Ah como era gostosa, voltei a lembrar. E como metia gostoso. Sabia muito bem como me deixar doido, como ativar o meu tesão e então me fazia comê-la de todas as formas possíveis e imagináveis. Na verdade, nós éramos inexperientes em fazer sexo, quando transamos pela primeira vez. Eu já tinha dado alguns amassos antes de a namorar, feito muita sacanagem pesada tipo ser chupado, já tinha gozado várias vezes com alguma menina me batendo punheta, mas nunca havia transado realmente, penetrado uma xana. Ela também era virgem, o que pude perceber logo nos primeiros encontros que tivemos, quando nos tocávamos loucamente. Não deixava que a penetrasse, embora por diversas vezes tinha esfregado nela meu pau, duro de desejo. Sempre me dizia que não, que não podia, que ainda não era hora, que quando quisesse daria tudo mas que eu esperasse mais um pouco. E chorava mansamente nos meus braços. Até que um dia…

Eu havia adoecido, tivera uma gripe muito forte, estava febril e não pude ir ao colégio nem sair de casa, tendo ficado o dia todo na cama. Estava sozinho em casa, meio adormecido, quando ela chegou me dizendo que tinha ido cuidar de mim, para que eu melhorasse e sarasse depressa. Ficamos conversando e, de repente, sem mais nem menos, ela me disse que queria que eu a comesse ali, naquele momento, que tinha ido lá em minha casa para dar para mim. Trancou a porta, tirou a roupa e deitou-se comigo. Metemos pela primeira vez e ela comportou-se como se já tivesse experiência, sem um gemido de dor, mas com muitos gemidos de tesão e de prazer. Foi muito bom . Foi muito gostoso.

Ah, você não tem como deixar de ser gostosa, eu lhe disse ao telefone. Aposto que ainda fode gostoso igual fodia antigamente, ou melhor até. Estou enganado? perguntei. Ela respondeu que eu não me enganava, que o que fodia dava pro gasto, que nunca ninguém tinha reclamado e deu uma sonora risada ao telefone. E que nunca esquecera de o quanto era gostoso quando eu a comia. Que tinha saudades do meu pau quando se lembrava de mim. Que não conseguira me esquecer. Que ainda sonhava que estavamos fudendo. Num sussurro me disse que só eu sabia como fazê-la gozar totalmente. E um sorriso surgiu nos meus lábios ao ouvi-la. E voltaram as lembranças.

Amor, ela me disse um dia, não tem nada mais gostoso nesse mundo do que quando você me enfia esse seu caralho. Eu tenho vontade de gritar, de rir, de chorar, tudo ao mesmo tempo. Mas só de alegria. E quando você me faz gozar, então, eu quase morro de tanta felicidade. Nunca, mais nunca mesmo, vou deixar outro caralho entrar na minha bucetinha. Ela é só sua. Para sempre eu quero que ela seja só sua.

Pois é, eu lhe disse. Antes desse seu telefonema eu pensava que você nunca mais fosse aparecer, fosse me ligar. Tinha até certeza de que tinha se esquecido completamente de mim. Casado. Um dia pensei até que tinha morrido. Não tive mais notícias suas. E olha que procurei por você num grande pedaço desse mundo. Você sumiu de vez.

Ela me disse que tinha ido para o exterior, tinha viajado muito. Tinha trabalhado em outros países. Mas que nunca tivera coragem de se casar. Porque casar ela só tinha pensado uma vez na vida. E que só podia ser comigo. Com outro, jamais.

Enquanto a escutava, uma paz muito grande foi tomando conta de mim. Eu me senti feliz por nunca ter me casado também. E mais feliz ainda por nunca tê-la esquecido. E lhe disse isso ao telefone, de maneira clara, segura, tranquila. E quando ela me chamou para sairmos no outro dia, topei sem nenhuma dúvida. Ao desligar, lhe disse apenas: foi muito bom falar com você, meu bem. Até amanhã.

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