ABENÇOADO FLAGRANTE

Alice era minha amiga já de muitos anos. Havíamos crescido praticamente juntos, nos vendo todos os dias e frequentávamos um a casa do outro com toda a liberdade possível. Na escola, sentávamos um perto do outro e, sempre que possível, fazíamos juntos os trabalhos que eram dados pelos professores. Éramos  como unha e carne.

De tanto ficarmos juntos, era natural que algumas pessoas maliciosas imaginassem que tívéssemos, além da nossa amizade, algum outro tipo de envolvimento. Um relacionamento amoroso secreto. O que jamais havia passado nem pela minha cabeça nem pela cabeça de Alice. Nunca nos havíamos visto, um ao outro, como homem e mulher. Éramos amigos e só amigos. Éramos, por assim dizer, assexuados em relação ao nosso modo de conviver.

Morávamos em uma rua que começava na Praça do Ponto, a principal da cidade e terminava na Avenida Sete, onde se concentravam os principais pontos comerciais, representados pela agência do Banco do Estado, os Correios, a Coletoria, o Cartório de Registro Civil e algumas lojas comerciais, uma alfaiataria e uma relojoaria.

A minha casa ficava mais ou menos na metade da rua, entre a casa dos Correios e o Cartório e a casa de Alice a uns poucos metros depois, entre o Banco do Estado e a Coletoria.

Como a maioria das casas vizinhas a nós eram ocupadas por repartições públicas ou comerciais, já estávamos acostumados ao silêncio da rua, quando anoitecia, o comércio cessava e todas ficavam fechadas. E, como não havia quase nenhum movimento, costumávamos ficar conversando até tarde, assentados em algum dos vários bancos dispostos sob as árvores, na “nossa rua”, como falávamos.

Nunca nos preocupamos com segurança e nunca fomos importunados ou nos sentimos ameaçados de alguma forma. Assim, era natural que deixássemos as portas de nossas casas entreabertas ou apenas encostadas, enquanto estávamos conversando na rua.

Minha amiga Alice tinha uma irmã mais velha, Carla, casada com um advogado chamado Joaquim.. Moravam na Capital mas, como a mãe de Alice não estava bem de saúde, sua irmã e o seu cunhado vinham vê-la quase todos os finais de semana. Chegavam sempre na noite de sexta-feira e retornavam na manhã de segunda. Durante esse tempo, Alice se acostumara a ficar mais em casa, fazendo companhia para sua mãe e sua irmã. Eu sempre ia até lá e ficávamos conversando um pouco, para não perdermos o costume. Depois, eu voltava mais cedo para a minha casa e ficava lá, assistindo televisão até o sono chegar.

Assim foi que aconteceu naquela noite de sexta-feira, na primeira semana de Outubro.

Eu fui a casa de Alice lá pelas oito horas da noite e fiquei lá, conversando com ela e Carla até as nove. Elas me acompanharam até o portão e Carla se despediu de mim dizendo-se muito cansada da viagem e louca para se recolher e descansar. Alice me disse que também iria aproveitar a oportunidade também para dormir mais cedo, pois não estava se sentindo muito bem. Eu brinquei com ela dizendo que o seu mal estar era coisa de gente velha. Rimos muito e as deixei.

Quando já estava em casa, fui a cozinha, tomei um café e me dirigi a sala onde me assentei frente a televisão, juntos dos meus pais para assistir televisão. Imediatamente senti falta da minha carteira. Ah, devo ter deixado na casa da Alice, pensei. Levantei-me e me dirigi para lá.

Ao chegar ao portão, verifiquei que a única luz acesa na casa de Alice era a da varanda, indicando que todos já deviam estar deitados. Ia me virando para voltar quando alguma coisa chamou minha atenção. Um ruído, um barulhinho bem baixo, mas que me pareceu como que um gemido abafado. Curioso, abri o portão e entrei no beco que levava a varanda. Como procurei não fazer nenhum barulho, logo descobri a causa do gemido. Encostada na parede, de frente para mim, me olhando com olhos assustados, Alice estava sendo fodida pelo seu cunhado. Como eu estava as suas costas, ele não me viu. Mas ela, com toda a certeza. E não esperava que eu voltasse ou que alguém fosse aparecer ali, exatamente naquele momento. Ele a fodia e ela se agarrava a ele, remexendo e gemendo baixinho. Me olhando com olhos de espanto a princípio, mas logo esboçando um sorriso safado, cheio de malícia. Eu fiquei lá, observando, por um pouco de tempo. Ela então caprichou no desempenho e nas mexidas de quadris. E me sorria, a safada. Virei-me, bem devagar e fui para casa.

Naquela noite, pela primeira vez, vi Alice como ela realmente era: uma mulher. E não consegui dormir incomodado com o que eu tinha presenciado. Não conseguia entender. Ou não queria entender. Alice traia a irmã com o seu cunhado. Eu tinha visto o Joaquim metendo o caralho em Alice e ela estava gostando. Como aquilo era possível, eu pensava. Ela nunca tinha deixado que eu percebesse nada. A irmã com certeza nunca poderia imagina. Tudo aquilo mexeu muito comigo.

 Quando consegui dormir, já era madrugada.

No sábado, não vi Alice durante todo o dia. Para meu desespero, vi o Joaquim umas dez vezes. E a cada vez que o via me sentia inseguro, como se temesse que ele tivesse me visto e pudesse, a  qualquer momento, querer tirar satisfações comigo. Passei um péssimo dia. A noite, como não podia deixar de acontecer, fui a casa de Alice, conversei com ela, a irmã e a sua mãe, procurando parecer o mais natural possível. Ela não demonstrou estar constrangida em nenhum instante pela minha presença. E sua irmã me pareceu a mais natural possível. Voltei para casa e fiquei imaginando o que estaria acontecendo lá, no beco. Bati uma punheta me imaginando fodendo a Alice.

No domingo tudo se repetiu como no sábado. Nova punheta batida em homenagem a Alice. Em quem eu já pensava e queria como mulher. Não mais como amiga.

Na segunda-feira, pela manhã,  vi quando Joaquim e Carla viajaram de volta para a Capital. Não vi Alice durante todo o dia.

Ao anoitecer, nos encontramos na rua e nos assentamos no nosso banco. Ficamos lá, conversando como se nada tivesse acontecido ou mudado em nossas vidas. Quando já era mais ou menos meia-noite nos levantamos e eu a acompanhei até sua casa. Conversávamos com naturalidade. Ao chegar ao portão, ela simplesmente tomou minha mão, entrou comigo pelo beco de mãos dadas e encostou-se na parede, puxando-me para si. Nos abraçamos e ela, enquanto me beijava, procurou o meu pau e o segurou com mão firme. Depois, com toda a calma abriu o ziper da minha calça e o tirou, pondo-se a acaricia-lo. Abaixou-se, colocou meu pau na boca e ficou chupando, gostoso, até que ele não tinha como ficar mais duro. Então, abaixou a calça, tirou a calcinha, virou-se de costas e foi me ajudando a enfiar em sua buceta o meu caralho, bem devagar, enquanto ia rebolando pra que ele entrasse completamente. Com uma das mãos ficou acariciando o meu saco por baixo das pernas enquanto com a outra apertava o meu braço. E como gemia gostoso, a Alice, quando eu enfiava fundo o pau, tirava e enfiava novamente. Como se tivéssemos treinado há muito tempo, gozamos juntos. Depois, nos beijamos e ela entrou em casa sem me dar nem um último olhar.

Durante o resto do ano, nos comportamos como se ainda fossemos apenas amigos durante todos os dias.

Fodemos loucamente e desesperadamente, todas as noites.

Em Dezembro ela mudou-se para a casa de Carla, na Capital. Na última noite em que passamos juntos, ela me levou ao seu quarto e fodemos e dormimos juntos até a manhã chegar. Eu a levei até o ônibus e nos beijamos frente a todos que lá se encontravam. Ela entrou sem me dar nenhum último olhar.

Nunca mais nos vimos!

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